Da malha rodoviária sucateada à insolvência ética: a
urgência de cobrar os nossos 'empregados' públicos."
No teatro político brasileiro, assistimos diariamente a uma
cena surreal: o patrão implora por atenção, enquanto o empregado desfruta de
privilégios reais, ignora as ordens e ainda decide o próprio salário. Em
qualquer empresa séria, esse funcionário seria demitido por justa causa. Na
política brasileira, no entanto, ele é reeleito.
Precisamos dar nome aos bois: na estrutura democrática, o
Povo é o Patrão e o Político é o Empregado.
A Aberração do Sistema e o Descaso com o Público
O mandato político nada mais é do que uma prestação de
serviço temporária. O voto é o contrato; os impostos são o pagamento. Contudo,
a nossa conjuntura revela uma distorção perversa. O político age como se o
Estado fosse sua propriedade particular e o cidadão um mero detalhe burocrático
ou, pior, um súdito que deve agradecer por migalhas.
Essa inversão é gritante na precariedade dos serviços
públicos. Onde deveria haver eficiência, encontramos descaso. Onde deveria
haver segurança, encontramos perigo.
Essa inversão ocorre por dois motivos principais que abordo
em minhas obras:
- A
Arrogância do Eleito: O "vírus do poder" faz com que o
mandatário esqueça que sua autoridade é delegada, não inerente.
- O
Karma da Omissão do Patrão: O povo brasileiro, agindo como uma
"criança egoica" ou desinformada, esqueceu-se de como gerir seus
próprios funcionários. O patrão que não fiscaliza, que não cobra metas e
que aceita ser humilhado pelo empregado, acaba por validar a tirania.
O "Empregado" que
manda na Casa
Enquanto o povo sofre com filas em hospitais e uma educação
sucateada, seus "empregados" em Brasília e nas assembleias discutem
fundos eleitorais bilionários e aumentos de benefícios. Eles invertem a lógica
do Utilitarismo Ético: em vez de buscarem o bem-estar da maioria, buscam
a manutenção do próprio projeto de poder.
O Karma das Estradas: Pagando Duas Vezes pela
Incompetência
Nada simboliza melhor essa falência moral do que a situação
de nossas rodovias. O "patrão" paga impostos pesados para ter o
direito de ir e vir, mas o que recebe são estradas mal construídas, muitas
vezes sem acostamento — o que é um atentado direto à vida.
A manutenção, quando existe, é feita de "remendos"
e operações tapa-buracos paliativas que não resistem à primeira chuva. É o
Karma da má gestão e da corrupção drenando os recursos que deveriam garantir
engenharia de qualidade. E a ironia final: quando o Estado admite sua
incapacidade e entrega a via para a iniciativa privada, o cidadão é obrigado a
pagar o pedágio. Ou seja, pagamos duas vezes: uma pelo imposto que foi
mal utilizado e outra na cancela, para ter o mínimo de segurança que já nos era
devido por direito.
Retomando as Rédeas: A Missão do Iluminado Ativo
Essa "logística do abandono" ocorre porque o povo
brasileiro, agindo como uma "criança egoica", esqueceu-se de gerir
seus próprios funcionários. O patrão que não fiscaliza e aceita pagar por
serviços não prestados acaba validando a própria opressão.
Não adianta apenas reclamar do "mau funcionário"
se o patrão continua dormindo no ponto. A reconstrução do Brasil exige que
retomemos a hierarquia correta da democracia.
A reconstrução do Brasil exige que retomemos a hierarquia
correta:
- Fiscalização
é Obrigação: Patrão que não olha a planilha de gastos e não cobra a
qualidade do asfalto é cúmplice do prejuízo coletivo.
- Voto
não é Favor, é Contratação: Pare de votar por gratidão. Contrate quem
entende que o recurso público é sagrado.
- Ética
no Gasto: O político deve entender que o dinheiro que ele gere não é
"do governo", mas do suor de quem arrisca a vida em estradas
esburacadas.
- Consciência
Política: O político deve temer o julgamento do seu patrão (o povo), e
não o contrário.
A Era de Aquário exige um novo pacto civilizatório onde a
transparência seja a regra. Enquanto permitirmos que os nossos servidores ajam
como nossos senhores, o Brasil continuará sendo o país do futuro que nunca
chega.
É hora de o patrão acordar, olhar para os buracos no
caminho e mostrar quem realmente manda na casa.


