QUANDO O SILÊNCIO
DO VOTO VIRA UM MANIFESTO DE RUPTURA.
Cheguei a uma decisão que, para
muitos, pode parecer absurda. Mas não é. É pensada, refletida e, acima de tudo,
pacífica: na próxima eleição, não vou votar em ninguém.
Não é por apatia. Não é por
desinteresse. Muito menos por desinformação. É justamente o contrário: é por
estar farto de um sistema político que, ano após ano, eleição após eleição, se
alimenta da boa-fé do povo para perpetuar as mesmas práticas, as mesmas
estruturas e os mesmos privilégios.
O que está aí não me representa.
O que vemos hoje é um Brasil
prisioneiro de um modelo eleitoral falido, dominado por partidos sem ideologia,
que viraram meros cartórios de interesses pessoais. Candidatos que prometem mudança,
mas, ao assumirem o poder, só repetem o ciclo de barganhas políticas,
acordos de bastidores, desvios de finalidade, loteamento de cargos, negociatas
com dinheiro público e, como se não bastasse, sustentam os altos custos das
mordomias indecentes — tudo bancado com o suor do povo que mal consegue
pagar suas próprias contas.
O voto obrigatório não tem nos
libertado. Pelo contrário, tem nos aprisionado em uma democracia de fachada.
Quando pressionam o povo dizendo
que “é preciso escolher o menos pior”, estão apenas perpetuando o velho jogo.
Sempre os mesmos grupos, as mesmas oligarquias, os mesmos acordos sujos que
esvaziam o verdadeiro sentido da democracia.
A minha recusa ao voto não é desistência da política — é um
ato político.
É um manifesto silencioso contra a manipulação do sistema.
Porque não aceito mais:
- Escolher entre corruptos de diferentes colorações
partidárias.
- Votar em quem negocia emendas parlamentares em
troca de favores pessoais.
- Financiar com meu voto as mordomias indecentes de
parlamentares que vivem muito bem enquanto o povo sobrevive.
- Me sentir cúmplice de um sistema que usa o voto do
povo como aval para seguir nos bastidores servindo a si mesmo.
- Ver candidatos que se dizem representantes do
"bem comum", mas governam para seus próprios interesses ou de
seus financiadores.
Enquanto não houver uma
reforma política séria, com ética, transparência, responsabilidade fiscal e
respeito ao cidadão, recuso-me a legitimar essa engrenagem.
Quero um país onde:
- O bem comum esteja acima dos projetos pessoais
de poder.
- A corrupção seja punida com rigor, sem acordos
de conveniência.
- O dinheiro público sirva ao povo — e não a
castas privilegiadas.
- Os partidos tenham projeto, ideologia e
compromisso com a nação.
- A educação política forme cidadãos conscientes,
não eleitores manipuláveis.
Meu não-voto é um grito pacífico.
É uma ruptura consciente com o sistema que insiste em enganar o povo. É uma
forma legítima de resistência diante de uma democracia sequestrada.
Claro, eu sei que muitos dirão:
"mas se todos pensarem assim, quem vai governar?".
Respondo: o problema não é o povo não votar — o problema é o que fazem com o
nosso voto.
Só quando houver uma pressão
real, vinda da indignação coletiva, da recusa popular em ser massa de manobra,
é que esse sistema será forçado a mudar.
Meu manifesto é simples:
Não me recuso à política — me recuso à farsa.
Não abandono o Brasil — abandono o circo eleitoral que virou o nosso sistema.
Não é omissão — é um chamado à verdadeira transformação.
Enquanto isso, sigo lutando. No
meu trabalho, na minha consciência, na formação de cidadãos críticos. Porque
sei que um Brasil diferente só nascerá quando o povo, de fato, tomar o comando.
Brasil, mostra sua cara. Chega
de ser refém dos mesmos de sempre.

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