sexta-feira, 13 de junho de 2025

A INCOERÊNCIA POLÌTICA DO POVO BRASILEIRO

 


O Brasil só vai mudar quando o povo parar de fugir da política e começar a entendê-la.

O brasileiro tem uma dificuldade crônica em lidar com política. É quase um tabu. Quando o assunto surge, a reação clássica é aquela velha frase repetida há décadas:

“Política, religião e futebol não se discutem.”

Pois bem, vamos direto ao ponto:

Futebol realmente não há o que discutir.

É escolha, é paixão, é emoção. Cada um torce para quem quiser, e ponto final.

Religião e política, no entanto, são outra história.

Ambas moldam valores, comportamentos e interferem na vida de todos. E diferente do futebol, não podem ser conduzidas por pura paixão cega, fanatismo ou devoção sem reflexão. Precisam ser discutidas com maturidade, razão e responsabilidade. O que o povo foge de discutir, geralmente, é o que não entende. A falta de conhecimento vira fuga, e a fuga alimenta a ignorância.

Na política, essa incoerência é ainda mais grave — porque atinge diretamente o presente e o futuro de um país inteiro.

O brasileiro, em grande parte, diz que "odeia política", mas continua votando sem critério. Elege políticos pelas promessas vazias, pelos comícios empolgantes, pelas frases de efeito, pelos cabos eleitorais de sempre. Depois, quando o eleito faz exatamente o que sempre fizeram — barganhas políticas, desvios, corrupção, loteamento de cargos, enriquecimento próprio e manutenção de mordomias indecentes — vem o discurso padrão:
“Nunca mais voto nesse.”

Mas na eleição seguinte, lá está o mesmo eleitor...
Votando de novo.
Repetindo o ciclo.
Reclamando do próprio voto.

Essa é a grande incoerência brasileira.

O brasileiro reclama dos políticos, mas não estuda política.
Reclama da corrupção, mas normaliza o “jeitinho”.
Reclama da desigualdade, mas não questiona a estrutura do sistema.

Diz que não gosta de política, mas está nas urnas, em todas eleições votando, e com isso entrega o país nas mãos dos que gostam de explorá-la.

Não se pode reclamar da política e continuar sustentando o ciclo que a mantém como está.

O povo precisa entender que não são os políticos que sustentam o Brasil.
Quem mantém o país funcionando é o próprio povo, com o suor do seu trabalho, com os impostos altíssimos que paga, com sua força de produção.

É preciso sair dessa visão míope de que política é "assunto sujo", ou "coisa que não se discute".
Política precisa, sim, ser debatida — com razão, consciência e ética.

Política não pode ser fanatismo de palanque.
Política não é torcida organizada de partido.
Política deve ser o instrumento racional para organizar a sociedade em torno de justiça social, dignidade humana, igualdade de oportunidades, saúde, educação, moradia e segurança pública.

O Eleitor Tem Mais Opções do Que Imagina

Outra incoerência comum está no próprio ato de votar.

O voto no Brasil é obrigatório, mas não no sentido que muitos pensam.

A lei exige que o cidadão compareça às urnas — mas não obriga a escolher nenhum candidato.
O eleitor tem o direito legítimo de:

  • Votar nulo — quando nenhum candidato o representa;
  • Votar em branco — como sinal de protesto;
  • Justificar ausência — se estiver em trânsito no dia da eleição;
  • Abster-se e pagar a multa simbólica de R$ 3,50 — como forma pacífica de não validar o processo.

Esses mecanismos existem justamente para que o eleitor possa manifestar sua insatisfação com os candidatos que lhe são oferecidos.

Porém, o que falta ao povo é consciência política.

Enquanto o brasileiro não assumir que política é uma responsabilidade coletiva, não adianta reclamar.

Enquanto pensar apenas “o que é melhor para mim” e não “o que é justo para todos”, o sistema continuará girando em favor de poucos.

A democracia brasileira não falha por excesso de escândalos.
Ela falha por excesso de tolerância e por um povo que se recusa a estudar política.

Chegou a hora do povo brasileiro romper essa incoerência.

  • Discutir política com consciência.
  • Exigir ética e responsabilidade dos seus representantes.
  • Deixar de sustentar com o voto aquilo que tanto critica no discurso.
  • Formar novas gerações politicamente alfabetizadas.

Brasil, mostra sua cara.
Ou o povo assume o comando — ou continuará refém dos mesmos de sempre.

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