segunda-feira, 14 de julho de 2025

A VOZ DO POVO PRECISA SER LEVADA A SÉRIO

 

Consulta pública é insuficiente. É hora de instituir o plebiscito como ferramenta obrigatória nas decisões que afetam diretamente a população.

Há alguns dias, enviei ao Congresso Nacional uma correspondência propondo que assuntos relevantes e de interesse da população fossem submetidos à sua apreciação por meio de plebiscito.

A resposta que recebi da Câmara dos Deputados revela uma perspectiva preocupante sobre a democracia representativa no Brasil, que ainda reluta em abrir espaço para a participação direta do cidadão comum. Fui informado da extinção do Banco de Ideias Legislativas e que apenas entidades organizadas, como sindicatos e associações de classe, têm acesso à Comissão de Legislação Participativa (CLP). Em outras palavras, se você não é filiado a um grupo específico, sua voz é praticamente silenciada. Se você é um cidadão comum, sem o respaldo de uma estrutura institucional, sua opinião não tem acesso facilitado.

Por outro lado, o Senado Federal informou sobre a existência do canal e-Cidadania, que possibilita a participação do cidadão nas atividades legislativas, onde qualquer pessoa pode opinar, sugerir leis ou participar de audiências públicas. No entanto, sejamos honestos: a consulta pública online não possui qualquer obrigatoriedade de ser considerada pelos parlamentares. Mesmo quando milhões de pessoas expressam suas opiniões, o Congresso frequentemente as ignora.

Um exemplo claro disso são as propostas de 2015 e 2017 que receberam grande apoio popular: mais de 1,9 milhão de pessoas votaram pelo fim do auxílio-moradia para deputados, juízes e senadores, e mais de 1,8 milhão apoiaram a redução no número de parlamentares. Qual foi o resultado dessas manifestações? Nenhum. O povo se manifesta, mas o Congresso não dá ouvidos.

Embora exista a Consulta Pública, onde qualquer cidadão pode votar “a favor” ou “contra” determinados projetos de lei, o sistema apresenta um problema significativo: sua acessibilidade é limitada para a maioria da população. Para encontrar um projeto específico, é necessário preencher campos como “palavra-chave”, “autor”, “tipo”, “número e ano”. Se o cidadão não possuir essas informações básicas, sequer consegue localizar a proposta para expressar sua opinião.

O sistema atual demonstra suas falhas. O que realmente precisamos são plebiscitos obrigatórios para temas estruturantes de nosso país. Essa não é uma proposta utópica. Em nações como Suíça, Irlanda e Uruguai, a população é consultada diretamente em questões cruciais. Aqui, no Brasil, onde parece vigorar o lema "você vota e nós decidimos", a democracia se restringe ao voto a cada quatro anos.

Ademais, mesmo quando a participação popular é expressiva, como nas propostas sobre o fim do auxílio-moradia ou a redução de parlamentares, a vontade do povo não é respeitada. A plataforma de participação se torna uma mera vitrine, desprovida de força legal. A indignação manifestada online não se traduz em ação institucional efetiva.

Diante disso, defendemos que temas de relevância nacional não fiquem sujeitos apenas à decisão do Congresso, mas sejam definidos por meio de plebiscitos obrigatórios. A população não pode continuar a ser tratada como massa de manobra eleitoral. Queremos ter o poder de decisão sobre:

  • Política salarial nacional: Um salário mínimo justo, que reflita o custo real de vida.
  • Reforma tributária: Tributação de grandes fortunas e alívio fiscal para quem possui apenas o essencial.
  • Previdência Social: Garantia dos direitos adquiridos e uma aposentadoria digna.
  • Reforma trabalhista: Proteção dos direitos dos trabalhadores, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e dos sindicatos.
  • Políticas ambientais: Preservação dos biomas brasileiros e estabelecimento de limites rigorosos ao uso de agrotóxicos.
  • Privatizações: A Petrobras, os Correios e o Banco do Brasil são patrimônios públicos e não devem ser tratados como mercadorias.
  • Educação e Saúde públicas: Fortalecimento desses serviços essenciais, com dignidade, infraestrutura adequada e investimentos significativos.
  • Reforma política: Regras eleitorais claras, justas e que garantam a participação cidadã efetiva.
  • Orçamento público: O povo deve ter o poder de decidir a destinação dos recursos, com o fim dos privilégios parlamentares e maior investimento em áreas prioritárias.

Basta de decisões tomadas em gabinetes, longe dos olhos da população. O Brasil precisa escutar aqueles que verdadeiramente impulsionam este país. O povo que paga seus impostos, mantém os cofres públicos e sustenta as regalias dos três poderes precisa ser ouvido de forma efetiva.

Chega de sermos meros figurantes no roteiro de uma república que parece privilegiar apenas uma elite. Se é o povo quem arca com os custos, é o povo quem deve ter o poder de decisão.

Chega de decisões de gabinete feitas entre quatro paredes. O Brasil precisa ouvir quem carrega esse país nas costas. Se é o povo quem paga, é o povo quem deve decidir.

O povo que arrecada impostos, mantém os cofres do Estado e sustenta as mordomias dos três poderes, precisa ser ouvido.

Esta é uma luta por justiça, transparência e uma democracia que seja verdadeiramente representativa.


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