terça-feira, 11 de novembro de 2025

A COP30 PRECISA OUVIR ISSO - JUSTIÇA AMBIENTAL É JUSTIÇA SOCIAL

 

A LUTA CLIMÁTICA NO BRASIL EXIGE MAIS DO QUE METAS DE CARBONO: EXIGE REPARAR DESIGUALDADES, OUVIR OS POVOS TRADICIONAIS E ROMPER COM O MODELO COLONIAL DE DESENVOLVIMENTO

A luta ambiental não se reduz à vegetação ou ao clima — ela é territorial, coletiva e profundamente humana.

Em tempos de emergência climática global, não basta falar em “preservação” e “sustentabilidade” de forma genérica. O Manifesto da Rede T.E.M.A. (Territórios, Ecologias, Mulheres e Ambientes) é um grito coletivo que escancara o que muitos ignoram: não existe justiça climática sem justiça territorial, sem distribuição equitativa de direitos, sem o fim da lógica colonial que ainda governa a política ambiental brasileira.

A retórica da “transição energética”, tão celebrada nos fóruns internacionais, vem acompanhada de velhas práticas de expropriação: mineração predatória de lítio em áreas tradicionais, construção de grandes hidrelétricas que destroem ecossistemas e culturas, monoculturas industriais devastando a biodiversidade. Sob o pretexto do “verde”, instala-se um modelo de desenvolvimento que expulsa, adoece e silencia comunidades inteiras.

A justiça climática exige mais do que reduzir emissões de carbono

Ela exige redistribuição de poder, de terras, de oportunidades e de voz. O Manifesto deixa claro que é preciso garantir o direito à energia, à terra, à autodeterminação dos povos tradicionais, especialmente comunidades quilombolas, indígenas, ribeirinhas e camponesas. Ou seja: não basta plantar árvore em uma ponta e derrubar uma aldeia na outra.

O texto também denuncia que o Brasil, apesar de sua vasta riqueza natural, segue sendo exportador de matéria-prima para enriquecer elites globais, enquanto os territórios locais continuam abandonados, precarizados e invisibilizados. É um modelo extrativista que empobrece o povo e lucra com a destruição.

Um convite à ação

O Manifesto da Rede T.E.M.A. não é apenas uma denúncia — é um chamado à mobilização consciente. Ele propõe um novo olhar para os territórios: não como “espaços a serem explorados”, mas como corpos vivos, culturais, sagrados, onde habitam saberes ancestrais e possibilidades reais de futuro sustentável.

Este manifesto é mais do que um documento: é um convite à ação. Ele mostra que a questão ambiental não é “apenas verde”, nem “apenas técnica” — é profundamente ética, política e humana. Reconhecer os territórios tradicionais como peça chave na justiça climática significa questionar o modelo de desenvolvimento brasileiro, redefinir quem participa das decisões, e dar voz a quem historicamente foi silenciado.

COP30 como arena de lobby climático global

A Conferência das Partes da ONU sobre Mudança Climática (COP) é um palco de disputas de poder político, econômico e geopolítico. Embora tenha como objetivo oficial discutir medidas concretas para conter o aquecimento global, grandes empresas, bancos, governos e até ONGs disputam espaço para influenciar os rumos das negociações — muitas vezes com interesses conflitantes com a justiça climática.

  • Empresas de petróleo e gás, que financiam campanhas e fazem pressão para manter combustíveis fósseis em alta.
  • Governos exportadores de commodities, como o Brasil, que muitas vezes tentam maquiar destruição ambiental com “selos verdes”.
  • Agroindústrias, mineradoras e grandes corporações do agronegócio, que buscam validar megaprojetos como “sustentáveis”.
  • ONGs e fundações globais, que por vezes pautam soluções tecnocráticas que não contemplam os povos originários e tradicionais.

A crítica não é contra a COP em si, mas contra a sua captura corporativa

A ideia de conferências climáticas multilaterais é importante — o problema é como elas vêm sendo sequestradas por interesses corporativos e diplomacias cínicas. O risco é transformar a COP30, realizada no Brasil (Belém – 2025), num palco de greenwashing global: muitos discursos, poucos compromissos vinculantes, e zero reparação a quem mais sofre com a crise climática.

A COP30 será também um lobby — a menos que a sociedade civil grite mais alto.

Protestos, manifestos, pressão pública, denúncias e articulação entre movimentos sociais, indígenas, quilombolas, pesquisadores e servidores públicos são o contraponto necessário. Não para boicotar, mas para reivindicar e ocupar.

Leia. Compartilhe. Reflita. Aja.

Como cidadãos, servidores públicos, professores, estudantes, pesquisadores ou militantes, temos o dever de reconhecer que a questão ambiental é ética, política e coletiva. Mostrar a cara, como o blog propõe, é também mostrar o território — mostrar o que querem esconder.

Leia o manifesto completo: https://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br/wp-content/uploads/2025/11/Mannifesto-Rede-Tema.pdf
Saiba mais sobre os conflitos ambientais em Minas Gerais: https://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br

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