segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

ENTRE O PRIVILÉGIO DA CORTE E O ABISMO SOCIAL: POR QUE O PODER QUE NÃO SE FAZ AMAR ESTÁ CONDENADO AO PRÓPRIO FIM

 


Um aforismo poderoso de JHS (José Henrique de Souza), que toca no âmago da filosofia política e da ética do poder.

O Poder que se Suicida: O Amor como Única Fonte de Respeito Duradouro

O filósofo e mestre JHS, em seu Pequeno Oráculo, nos presenteou com uma lição de realismo político que atravessa os séculos. No aforismo 67, ele sentencia:

"Um governo deve se fazer amar para ser respeitado. O Governo que se faz temido não pode deixar de ser odiado. E a história o confirma..."

Essa frase não é apenas um conselho ético; é um diagnóstico de sobrevivência. Através da história, vimos impérios, monarquias e regimes modernos tentarem se sustentar através do medo, da coerção e da força bruta. O resultado, como JHS aponta, é invariavelmente o mesmo: o aniquilamento.

O Medo é uma Base de Areia

Quando um governo escolhe se fazer temido, ele cria uma obediência superficial. O povo obedece porque teme a punição, não porque acredita no projeto. No entanto, o medo gera um subproduto inevitável: o ódio.

Diferente do respeito, que é uma via de mão dupla baseada na admiração e na justiça, o medo é uma pressão externa que, em algum momento, encontra resistência. O governo que governa pelo medo precisa gastar cada vez mais energia e recursos para manter essa pressão, vigiando, punindo e silenciando.

O Autossuicídio dos Governos Tirânicos

A frase mais impactante de JHS é: "Tal governo é aniquilado por suas próprias mãos".

Isso significa que a tirania carrega em si a semente da própria destruição. O governo que se descola da vontade popular e da justiça humana torna-se insustentável. Ele implode por corrupção interna, por revolta popular ou pelo simples peso da sua própria ineficiência ética.

  • O Governo que se faz amar: É aquele que serve, que busca o bem comum, que investe na dignidade do cidadão. Esse governo colhe o respeito, que é a base da estabilidade.
  • O Governo que se faz temido: É aquele que se encastela, que protege privilégios e que usa a força para calar a insatisfação. Esse governo colhe o ódio, que é o combustível da revolução.

Passado, Presente e Futuro

Como bem lembra o aforismo, a história não mente. Se as coisas continuarem caminhando do mesmo modo — com elites políticas se distanciando da realidade do povo e utilizando o aparato do Estado para intimidar em vez de acolher — o destino será o mesmo dos tiranos do passado.

Para que o Brasil (ou qualquer nação) floresça, precisamos de uma liderança que entenda que autoridade não se impõe, se conquista. O respeito nasce do amor à pátria e ao próximo, manifestado em políticas públicas que transformam vidas.

O "Poder compartilhado", como vimos no exemplo da Suíça, ou a "Justiça Social", como discutimos nas reformas estruturais, são as formas modernas de um governo "fazer-se amar". Sem isso, qualquer sistema está apenas contando os dias para o seu próprio fim.

O Destino Inevitável do Poder Isolado

Toda essa estrutura de privilégios, auxílios e "penduricalhos" que sustenta a corte de Brasília não é apenas um erro orçamentário; é um erro de alma. Ao se encastelarem em uma realidade de luxo bancada pelo suor de quem mal consegue pagar o aluguel, nossos representantes rompem o único fio que sustenta uma democracia saudável: a confiança.

Hoje, vivemos o perigoso distanciamento descrito pelo mestre JHS (José Henrique de Souza) no seu Pequeno Oráculo. Quando o político deixa de ser um servidor admirado para se tornar um privilegiado isolado, ele troca o amor do povo pelo temor (através da força das leis impositivas) ou, pior, pelo ódio silencioso da indignação.

Como ensina o aforismo 67:

"Um governo deve se fazer amar para ser respeitado. O Governo que se faz temido não pode deixar de ser odiado. E a história o confirma, quer no passado, quer no presente, como será no futuro, se as coisas caminhassem do mesmo modo. Tal governo é aniquilado por suas próprias mãos, não importa como, mas o fato é que nunca deixou de ser."

A "corte" de Brasília caminha hoje para esse auto aniquilamento ético. Não há sistema que suporte, por muito tempo, uma elite que se faz odiar pelo excesso enquanto o povo é exigido pelo sacrifício. A história é implacável: governos que não se fazem amar pela justiça e pela simplicidade acabam ruindo sob o peso da própria soberba.

A reconstrução do Brasil que queremos começar pelo fim desses privilégios medievais. Só assim o poder voltará a ser respeitado — não porque impõe medo, mas porque emana, finalmente, do amor ao bem comum e do exemplo de quem governa.


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