Um aforismo poderoso de JHS (José
Henrique de Souza), que toca no âmago da filosofia política e da ética do
poder.
O Poder que se Suicida: O Amor
como Única Fonte de Respeito Duradouro
O filósofo e mestre JHS, em seu Pequeno
Oráculo, nos presenteou com uma lição de realismo político que atravessa os
séculos. No aforismo 67, ele sentencia:
"Um governo deve se fazer
amar para ser respeitado. O Governo que se faz temido não pode deixar de ser
odiado. E a história o confirma..."
Essa frase não é apenas um
conselho ético; é um diagnóstico de sobrevivência. Através da história, vimos
impérios, monarquias e regimes modernos tentarem se sustentar através do medo,
da coerção e da força bruta. O resultado, como JHS aponta, é invariavelmente o
mesmo: o aniquilamento.
O Medo é uma Base de Areia
Quando um governo escolhe se
fazer temido, ele cria uma obediência superficial. O povo obedece porque teme a
punição, não porque acredita no projeto. No entanto, o medo gera um subproduto
inevitável: o ódio.
Diferente do respeito, que é uma
via de mão dupla baseada na admiração e na justiça, o medo é uma pressão
externa que, em algum momento, encontra resistência. O governo que governa pelo
medo precisa gastar cada vez mais energia e recursos para manter essa pressão,
vigiando, punindo e silenciando.
O Autossuicídio dos Governos
Tirânicos
A frase mais impactante de JHS é:
"Tal governo é aniquilado por suas próprias mãos".
Isso significa que a tirania
carrega em si a semente da própria destruição. O governo que se descola da
vontade popular e da justiça humana torna-se insustentável. Ele implode por
corrupção interna, por revolta popular ou pelo simples peso da sua própria
ineficiência ética.
- O Governo que se faz amar: É aquele que
serve, que busca o bem comum, que investe na dignidade do cidadão. Esse
governo colhe o respeito, que é a base da estabilidade.
- O Governo que se faz temido: É aquele que se
encastela, que protege privilégios e que usa a força para calar a
insatisfação. Esse governo colhe o ódio, que é o combustível da revolução.
Passado, Presente e Futuro
Como bem lembra o aforismo, a
história não mente. Se as coisas continuarem caminhando do mesmo modo — com
elites políticas se distanciando da realidade do povo e utilizando o aparato do
Estado para intimidar em vez de acolher — o destino será o mesmo dos tiranos do
passado.
Para que o Brasil (ou qualquer
nação) floresça, precisamos de uma liderança que entenda que autoridade não
se impõe, se conquista. O respeito nasce do amor à pátria e ao próximo,
manifestado em políticas públicas que transformam vidas.
O "Poder
compartilhado", como vimos no exemplo da Suíça, ou a "Justiça
Social", como discutimos nas reformas estruturais, são as formas modernas
de um governo "fazer-se amar". Sem isso, qualquer sistema está apenas
contando os dias para o seu próprio fim.
O Destino Inevitável do Poder
Isolado
Toda essa estrutura de
privilégios, auxílios e "penduricalhos" que sustenta a corte de
Brasília não é apenas um erro orçamentário; é um erro de alma. Ao se
encastelarem em uma realidade de luxo bancada pelo suor de quem mal consegue
pagar o aluguel, nossos representantes rompem o único fio que sustenta uma
democracia saudável: a confiança.
Hoje, vivemos o perigoso
distanciamento descrito pelo mestre JHS (José Henrique de Souza) no seu Pequeno
Oráculo. Quando o político deixa de ser um servidor admirado para se tornar
um privilegiado isolado, ele troca o amor do povo pelo temor (através da força
das leis impositivas) ou, pior, pelo ódio silencioso da indignação.
Como ensina o aforismo 67:
"Um governo deve se fazer
amar para ser respeitado. O Governo que se faz temido não pode deixar de ser
odiado. E a história o confirma, quer no passado, quer no presente, como será
no futuro, se as coisas caminhassem do mesmo modo. Tal governo é aniquilado por
suas próprias mãos, não importa como, mas o fato é que nunca deixou de
ser."
A "corte" de Brasília
caminha hoje para esse auto aniquilamento ético. Não há sistema que suporte, por
muito tempo, uma elite que se faz odiar pelo excesso enquanto o povo é exigido
pelo sacrifício. A história é implacável: governos que não se fazem amar pela
justiça e pela simplicidade acabam ruindo sob o peso da própria soberba.
A reconstrução do Brasil que
queremos começar pelo fim desses privilégios medievais. Só assim o poder
voltará a ser respeitado — não porque impõe medo, mas porque emana, finalmente,
do amor ao bem comum e do exemplo de quem governa.

Nenhum comentário:
Postar um comentário