A Engenharia do Desperdício: O Quanto o Brasil
Economizaria se Deixasse de Financiar a Nobreza Estatal?
Parar de Bancar o Banquete de Brasília
No meu livro, "O Karma Coletivo do Povo
Brasileiro", dedico capítulos inteiros para destrinchar o que chamo de
Teatro de Sombras da política nacional. Nele, o cidadão comum — o trabalhador — é condicionado a aceitar a escassez de recursos
na saúde, na educação e na previdência como se fosse uma fatalidade divina.
Dizem-nos, com ar técnico e professoral, que "o Estado está quebrado"
e que o trabalhador precisa pagar a conta.
Mas a matemática não mente. A verdade incômoda é que o
Brasil não sofre por falta de dinheiro; sofre por um desvio moral na sua
distribuição. Nós sustentamos o sistema político mais caro do planeta. Enquanto
o trabalhador se esgota na escala 6x1, Brasília opera em um universo paralelo
de privilégios. E se tivéssemos a coragem de aplicar o Utilitarismo Ético
e o Humanitarismo para redesenhar essa máquina? Quanto o Brasil
economizaria se cortasse o sistema político pela raiz?
Abaixo, apresento os cálculos reais e avassaladores do
impacto financeiro de uma reforma estrutural que encolhesse essa aristocracia
estatal.
O Tamanho do Corte: A Dieta Compulsória do Poder
Imagine uma proposta de emenda constitucional que atacasse o
gigantismo do legislativo em três frentes implacáveis:
- Esfera
Federal: Redução de 50% das cadeiras da Câmara dos Deputados
(de 513 para 256) e do Senado (de 81 para 40).
- Esfera
Estadual e Municipal: Redução de 30% das cadeiras de Deputados
Estaduais nas Assembleias e de Vereadores nas Câmaras Municipais de todo o
país.
- Fim
Total das Mordomias e Penduricalhos: Extinção absoluta de todo tipo de
auxílio pecuniário (moradia, paletó, representação), corte de 50% na
verba para assessores dos gabinetes restantes e redução de 70% nas
cotas para passagens aéreas, combustíveis e aluguel de carros.
A Matemática do Resgate Orçamentário
Quando cruzamos os subsídios atuais, as verbas de gabinete e
os privilégios camuflados, os números revelam que a blindagem de Brasília custa
muito mais caro do que o povo imagina.
1. O Enxugamento de Brasília (Câmara e Senado)
Ao cortarmos metade do Congresso Nacional e reduzirmos pela
metade a verba de assessores dos parlamentares que sobrarem, o impacto é
imediato. A extinção de 257 deputados e 41 senadores, somada à asfixia dos
gabinetes restantes, estanca um ralo que consome salários e cotas de passagens
e frotas de veículos.
Apenas na cota parlamentar (CEAP) dos que ficarem, o corte
de 70% nas passagens e combustíveis gera uma economia de mais de R$ 108
milhões anuais. No total, somando salários, o fim dos assessores excedentes
e as restrições de custeio, a economia na Esfera Federal ultrapassa R$ 1,13
bilhão por ano.
2. O Impacto nos Estados e Municípios (Assembleias e
Câmaras)
A redução de 30% nas Assembleias Legislativas extingue 318
cadeiras de deputados estaduais, gerando um alívio de R$ 253,9 milhões
anuais entre salários e verbas locais.
Mas é na base que o volume impressiona: o Brasil possui mais
de 58 mil vereadores. O corte de 30% elimina 17.455 vagas. Adotando uma
média nacional conservadora de salários e custos operacionais por gabinete, a
limpeza nas Câmaras Municipais devolve impressionantes R$ 2,95 bilhões por
ano aos cofres das cidades.
3. A Extinção dos Auxílios Pecuniários
Acabar com o auxílio-moradia em dinheiro e outros
penduricalhos dos 296 parlamentares federais que restariam retira do bolso da
elite e devolve ao povo mais R$ 27,5 milhões anuais.
O Balanço Geral: R$ 4,45 Bilhões de Reais por Ano
Somando todas as frentes de corte, o resultado final é um
tapa na cara da narrativa da escassez:
- Economia
com a redução e corte de assessores no Congresso: R$ 1,24 bilhão / ano
- Economia
com a redução de Deputados Estaduais: R$ 253,9 milhões / ano
- Economia
com a redução de 30% dos Vereadores: R$ 2,95 bilhões / ano
- Economia
com o fim de auxílios e corte de 70% em viagens/combustível: R$ 136,3
milhões / ano
- ECONOMIA TOTAL CONSOLIDADA: R$ 4,456 bilhões de reais todos os anos!
O que Esse Dinheiro Significa para o povo brasileiro?
Dizer que economizaremos R$ 4,45 bilhões pode soar abstrato.
Vamos traduzir esse valor para a realidade do trabalhador que depende dos
serviços públicos. Todos os anos, esse montante arrancado das mordomias
da casta política seria suficiente para:
- Revitalizar
e Expandir a Malha Ferroviária Nacional: Financiar a construção ou a
modernização de cerca de 300 a 400 quilômetros de ferrovias anualmente. Em
poucos anos de projeto, teríamos o capital necessário para reativar leitos
abandonados, resgatar estações históricas e tirar o excesso de peso das
estradas, gerando aquela economia de até 50% no custo do frete que alivia
o preço dos alimentos na mesa do trabalhador;
- Financiar
a Saúde de Base: Custear a construção e o equipamento de mais de 3.700
novas Unidades Básicas de Saúde (UBS) pelo país, descentralizando o
atendimento e desafogando os hospitais do SUS;
- Recuperar
a Infraestrutura Rodoviária: Pavimentar e restaurar milhares de
quilômetros das nossas rodovias destruídas, integrando o país de forma
segura e inteligente enquanto a transição para os trilhos acontece;
- Garantir a Justiça de Oportunidades: Construir centenas de escolas técnicas de tempo integral, arrancando a juventude da vulnerabilidade social e oferecendo o conhecimento científico e prático necessário para o mercado de trabalho.
O Despertar do Patrão
Esta conta prova que a miséria dos nossos serviços públicos
é uma escolha política, não uma limitação orçamentária. O sistema é desenhado
para que o cidadão pague o banquete de uma casta inescrupulosa e viva de
migalhas.
O circo só acaba quando a plateia decide se levantar. Romper
o nosso Karma de Submissão exige que paremos de olhar para governantes
como benfeitores. Eles são empregados pagos com o imposto do nosso suor.
Reduzir o sistema político e extinguir suas mordomias não é uma utopia; é uma
urgência matemática para que o Brasil finalmente deixe de ser o país do futuro
e se torne, no presente, uma nação de verdadeira justiça social.
Ricardo Laporta Educador, Pensador
Político/Filosófico e Autor de "O Karma Coletivo do Povo Brasileiro".

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