A Farra dos Intocáveis e o Desafio da Coerência para 2026
No contexto da retórica política do partido Novo, os
"intocáveis" não são apenas indivíduos específicos, mas sim toda uma
casta burocrática e política que se beneficia de uma estrutura de privilégios
inacessível ao cidadão comum. De acordo com as diretrizes do partido e a
filosofia do meu livro, “Os Três Pilares para a Estrutura de um Sistema
Ideológico Político da Nova Era”, esses grupos podem ser divididos em três
frentes principais:
1. A Elite do Funcionalismo Público (O
"Mandarinato") Refere-se ao alto escalão dos Três Poderes
(Executivo, Legislativo e Judiciário) que goza de benefícios extrateto.
- Privilégios:
Auxílio-moradia, férias de 60 dias (comum em certas carreiras jurídicas),
aposentadorias especiais e gratificações que fazem com que seus salários
ultrapassem o teto constitucional.
- Conexão
com os Pilares: Esta elite fere o Igualitarismo, pois cria uma classe
de servidores que não serve ao público, mas serve-se dele.
2. Os Parlamentares e suas Regalias ("O Mercado de
Balcão") São os deputados e senadores que utilizam a "letra da
lei" para criar resoluções em benefício próprio.
- Privilégios:
Planos de saúde de R$ 9.800,00 mensais, verbas de gabinete vultosas, foro
privilegiado e o uso de fundo eleitoral bilionário para garantir
reeleições.
- A
"Intocabilidade": Eles são intocáveis porque são os únicos
com poder para legislar sobre os próprios benefícios, criando um ciclo de
autoproteção inescrupuloso.
3. As Oligarquias Econômicas e Políticas Grupos que
orbitam o poder em Brasília, utilizando o acesso facilitado a gabinetes para
garantir subsídios, desonerações seletivas e contratos direcionados.
- Privilégios:
Acesso ao "orçamento secreto" e influência na indicação de
cargos em estatais e órgãos reguladores.
- Conexão
com os Pilares: Isso representa a morte do Utilitarismo Ético, pois o
recurso que deveria gerar bem-estar para a maioria é desviado para manter
a influência de grupos restritos.
A Visão para 2026: Entre o Discurso e a Prática
Quando o Novo fala em "acabar com a farra", ele
propõe atacar o que chamo de Teatro de Sombras, através da redução do Estado,
da Reforma Administrativa e do corte de privilégios. Embora o discurso seja
necessário, o Cidadão Consciente deve observar se essa proposta também protege
o Humanitarismo. O risco é que, na tentativa de atingir o topo, as reformas
precarizem serviços essenciais (saúde e educação) que atendem aos mais pobres.
A Ideologia do Novo e o Ponto de Tensão
A promessa de acabar com privilégios condiz com o
Liberalismo Clássico do partido. O Igualitarismo Jurídico defendido — onde
parlamentares renunciam a auxílios e fundos — busca devolver ao político o
papel de empregado do povo. Sob o Utilitarismo Ético, o Novo defende que cada
real gasto com luxo parlamentar é um recurso retirado da saúde básica. Contudo,
existe um ponto de tensão:
- Estado
Mínimo vs. Dignidade Humana: No processo de cortar o "luxo dos
intocáveis", o partido não pode cortar o "básico dos
vulneráveis".
- Privatização
de Serviços: É preciso vigiar para que direitos essenciais não virem
meros negócios no "Mercado de Balcão", onde o lucro de empresas
se sobreponha ao bem-estar social.
O Filtro da Coerência: O Caso PL 5037/2024 vs. Gestão
Zema
O Projeto de Lei 5037/2024 é um movimento importante para
que políticos se aposentem pelas regras do INSS, resgatando o Igualitarismo. No
entanto, reside aqui uma contradição profunda que o Cidadão Consciente deve
compreender: enquanto o partido tenta eliminar supersalários em Brasília, seu
principal expoente, Romeu Zema, sancionou um aumento de 298% para a cúpula do
governo em Minas Gerais.
- O
Choque do "Teto": O PL 5037 tenta baixar o teto em Brasília,
mas Zema empurrou o teto para cima em Minas, distanciando a elite da
realidade do trabalhador comum.
- Atração
de Talentos vs. Austeridade: Se o Novo prega que o serviço público é
vocação e deve seguir o teto do INSS, por que em Minas justifica salários
de elite para "atrair competência"? Isso fere o Utilitarismo
Ético.
- A
"Letra que Mata" a Coerência: Quando um governador pede
sacrifício aos professores, mas garante aumento massivo para si e seus
secretários, ele mata o Humanitarismo em favor de uma conveniência
política.
O discurso de acabar com os intocáveis é sedutor, mas a
prática em Minas Gerais criou uma nova classe de intocáveis com salários 300%
maiores. O eleitor consciente não deve olhar para o que o partido diz em seus
comerciais, mas para o que seus governantes fazem com a caneta na mão. Este
exemplo de Zema é a prova de que, sem um compromisso real com o Humanitarismo e
o Igualitarismo, o liberalismo pode se tornar apenas uma ferramenta para trocar
os antigos políticos por gestores que, no fundo, mantêm o mesmo Teatro de
Sombras e o mesmo desrespeito com o suor do povo brasileiro.
O Papel do Eleitor em 2026
O "Karma Nacional" do privilégio é tão forte que
contamina até quem se diz "Novo". O eleitor deve estar atento:
discursos no Legislativo são fáceis; a verdadeira face de um governante aparece
quando ele tem a caneta do Executivo na mão. O exemplo de Minas prova que, sem
um compromisso real com o Humanitarismo e o Igualitarismo, o liberalismo pode
ser apenas uma ferramenta para trocar antigos políticos por gestores que mantêm
o mesmo Teatro de Sombras. Em 2026, não olhe para os comerciais; olhe para o
que o governante faz com a caneta. A verdadeira mudança virá de quem pratica o
que prega, sem exceções.
A Nova Era exige coerência absoluta entre o que se escreve no projeto de lei e o que se assina no diário oficial. O eleitor consciente deve estar atento: discursos no Legislativo (como o PL 5037) são fáceis de fazer, mas a verdadeira face de um governante aparece quando ele tem a caneta do Executivo na mão. Se o exemplo do ex-governador de Minas e a promessa de acabar com a "farra dos intocáveis" em Brasília forem apenas retórica, corre-se o risco de ser apenas mais uma sombra projetada na parede da nossa democracia precária. A verdadeira mudança em 2026 virá de quem pratica o que prega, sem exceções para si ou para seus aliados.
O Abismo entre o Discurso e a Caneta: O Teatro de Sombras
de 2026
O cenário político brasileiro é marcado por um fenômeno que
chamo de "transmutação da caneta". Entre o microfone do candidato e a
caneta do governante, o compromisso com o povo frequentemente desaparece para
dar lugar ao conforto das castas.
O Fenômeno Cleitinho Azevedo: Entre a Rebeldia e a
Dissonância Partidária
O Senador Cleitinho Azevedo personifica, no cenário político
atual, a figura do "rebelde do sistema". Através de uma retórica
incisiva em seus vídeos, ele se coloca na linha de frente contra os privilégios
parlamentares e em defesa da redução drástica de gastos públicos. Em tese, essa
postura se alinharia perfeitamente ao pilar do Utilitarismo Ético, que busca a
máxima eficiência do recurso público em prol da coletividade.
Contudo, essa atuação gera um fenômeno interessante de
dissonância ideológica. Embora sua "rebeldia institucional" encontre
eco no desejo popular, ela frequentemente entra em rota de colisão com a
estrutura e os interesses reais de seu próprio partido, o Republicanos.
Enquanto Cleitinho brada contra o desperdício, a base partidária e o sistema ao
qual ele pertence muitas vezes operam na lógica do "mercado de
balcão", preservando as mesmas estruturas de poder e privilégios que o
senador critica. Essa tensão expõe o desafio de transmutar o discurso de
marketing em uma prática política real e coerente dentro das engrenagens do
sistema tradicional.
O Discurso de Austeridade vs. A Estrutura Partidária
Cleitinho baseia sua imagem na denúncia de privilégios e na
defesa da redução de gastos parlamentares.
- O
Conflito: O Republicanos é um partido que, embora defenda o
liberalismo econômico, está profundamente inserido na política tradicional
de coalizão e na ocupação de espaços no governo. Enquanto Cleitinho faz
vídeos renunciando a aumentos ou criticando gastos de gabinete, seu
partido frequentemente vota e negocia dentro da lógica do "mercado de
balcão" que criticamos anteriormente.
- Utilitarismo
Ético ou Populismo? Sob a ótica do Utilitarismo Ético, a redução de
gastos é positiva se revertida em bem comum. No entanto, se o discurso
serve apenas para o ganho de seguidores em redes sociais, sem mudar a
prática de votação do partido em temas estruturais (como a manutenção de
fundos partidários bilionários), ele permanece no campo da política das
aparências, onde o que o cidadão enxerga é apenas uma projeção distorcida
da realidade.
A Defesa de Bolsonaro e o Conservadorismo
O senador é um aliado fiel do ex-presidente Bolsonaro e se
alinha ao conservadorismo nos costumes do Republicanos.
- A
Contradição do Humanitarismo: O Humanitarismo exige o respeito à
dignidade humana acima de ideologias. Muitas vezes, a base política que
Cleitinho defende prioriza pautas de costumes que podem ser excludentes, o
que entra em conflito com o pilar do Igualitarismo, que busca a equidade
real e o fim de privilégios de castas — sejam elas políticas ou
religiosas.
- Ao
focar em pautas ideológicas barulhentas, corre-se o risco de ignorar a
necessidade de políticas públicas que protejam o trabalhador contra a
precarização, tema que muitas vezes é ignorado pela agenda
liberal/conservadora do seu partido.
O Personagem vs. O Sistema
Os vídeos de Cleitinho mostram uma tentativa de resgatar a
posição do povo como o verdadeiro patrão, colocando-se no papel de um
"gerente" ou "procurador" que cobra os outros empregados (o
Estado e seus pares) em nome de quem paga a conta. Os vídeos de Cleitinho
Azevedo buscam romper com a lógica invertida de Brasília. Ele tenta
personificar a voz do verdadeiro patrão (o povo), utilizando sua posição para
cobrar e fiscalizar os empregados do Estado que se esqueceram de sua função servil.
Sob a ótica do Igualitarismo, Cleitinho atua como um fiscal que denuncia quando
o 'empregado' parlamentar consome recursos que pertencem à dignidade do
'patrão' cidadão.
- O
Eleitor Precisa Saber: Esse estilo agrada ao eleitor indignado, mas a
pergunta que nos convida a fazer é: esse discurso se traduz em mudanças
nas leis?
- Risco
de Isolamento ou Incoerência: Se o senador defende a redução de
gastos, mas seu partido apoia o aumento do fundo eleitoral ou o orçamento
secreto, o eleitor está sendo representado pelo "vídeo do
Facebook" ou pelo "voto no painel do Senado"?
Impacto para 2026
Para o processo de seleção de 2026, figuras como Cleitinho
representam um desafio para o "Cidadão Consciente".
- O
Lado Positivo: Ele traz à tona a discussão sobre o custo do Estado, o
que é fundamental para o Utilitarismo Ético.
- O
Ponto de Atenção: O eleitor deve observar se esse parlamentar consegue
dobrar a vontade do seu partido ou se ele é apenas uma "válvula de
escape" para a indignação popular, enquanto a estrutura inescrupulosa
do sistema continua operando nas sombras.
Cleitinho Azevedo parece ser um "outsider" dentro
de uma estrutura tradicional de direita. Se ele realmente deseja a mudança, a
sua luta não pode ser apenas por "likes", mas sim para que o
Republicanos e a base conservadora adotem, na prática, o fim dos privilégios e
a valorização real do cidadão comum, sem as amarras do patrimonialismo que ele
tanto critica em seus vídeos. Sem essa coerência, o discurso corre o risco de
ser apenas mais um ato no circo político brasileiro.
A Grande Contradição de Romeu Zema em Minas
Se Cleitinho é o exemplo do discurso legislativo, Romeu Zema
é o exemplo da prática executiva. O Partido Novo prega o fim da "farra dos
intocáveis" e apresenta o PL 5037/2024 para eliminar supersalários em
Brasília.
O Alerta para 2026: O Cidadão Consciente
A lição que fica para as próximas eleições é clara: o
discurso seduz, mas a caneta revela.
- Afronta
ao Igualitarismo: Não há justiça quando o "empregado"
(político) aumenta o próprio salário enquanto o "patrão" (povo)
amarga a inflação e a falta de serviços básicos.
- Morte
do Humanitarismo: Quando a elite política se blinda com planos de
saúde de R$ 9.800,00 e aumentos abusivos, ela prova que perdeu a empatia e
o compromisso com a dignidade da pessoa humana.
O Papel do Eleitor: Em 2026, não basta votar em quem
"grita" contra o sistema nas redes sociais. É preciso investigar
quem, ao ter a caneta na mão, manteve a coerência com os pilares do Humanitarismo,
Utilitarismo Ético e Igualitarismo. O risco é que, na tentativa de atingir
os "intocáveis" do topo, as reformas acabem precarizando os serviços
essenciais (saúde e educação) que atendem aos mais pobres. O verdadeiro fim da
farra deve focar na elite inescrupulosa, sem destruir o suporte básico que
garante a dignidade da pessoa humana.
O circo só deixará de existir quando pararmos de aplaudir o
teatro das sombras e passarmos a cobrar a luz da verdade nos diários oficiais.
A Nova Era não aceita mais a "letra da lei" que mata a justiça social
para alimentar o luxo de quem deveria servir. No entanto, o papel do Cidadão
Consciente em 2026 será garantir que essa "limpeza" nos privilégios
seja feita com Humanitarismo: retirando o excesso da elite sem desamparar a
base da pirâmide. Acabar com a farra dos intocáveis é o primeiro passo para o
Igualitarismo real, desde que o espírito de justiça social vivifique a nova
letra da lei.




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